Rodada de Polêmica no Brasileirão

Olá amigos. Vamos falar sobre a 24° rodada do Campeonato Brasileiro e também levantaremos duas discussões. A tecnologia no futebol brasileiro tem que ser implantada? E a outra pergunta: Existe fair play no futebol?

Mas antes de entrarmos nesses temas vamos falar dos jogos. Começando com o clássico realizado no estádio Nilton Santos entre Botafogo e Santos. O peixe vinha de 17 jogos de invencibilidade e o fogão estava embalado pela vitória sobre o rival Flamengo. Sem Ricardo Oliveira e Lucas Lima, o Santos foi presa fácil para o Botafogo que venceu por 2×0 com gols de Rodrigo Lindoso e Guilherme. O Botafogo agora se aproxima da zona de classificação para a Libertadores e está na sétima posição. Já o peixe permanece em terceiro.

Ainda no sábado, tivemos no Moisés Lucarelli o jogo entre Ponte Preta e Atlético – GO. E a macaca foi surpreendida e perdeu por 3×1. A Ponte Preta agora se aproxima perigosamente da zona de rebaixamento na 15° posição. E o Atlético – GO, ainda fica na lanterna, porém diminui a diferença de pontos para o penúltimo.

Iniciando a rodada no domingo tivemos na Ressacada Avaí e Atlético – MG. O Avai saiu na frente no final do primeiro tempo e parecia que o time conseguiria a sua terceira vitória seguida. Porém, o galo pressionou o time catarinense no final do jogo e conseguiu o empate com Otero. Cinco minutos depois, Elias foi expulso, mas o Atlético – MG segurou o empate. O resultado o galo na décima posição e o Avaí fica em 13°.

Continuando, o Flamengo recebeu o Sport buscando uma recuperação na tabela. E com uma ótima atuação de Everton Ribeiro e Guerrero, que marcaram os gols da vitória por 2×0, o time de Rueda voltou a ficar na quinta colocação. Já o Sport vem despencando na tabela e agora ocupa o 12° lugar.

O líder Corinthians recebeu em casa o Vasco, buscando se recuperar das últimas e conseguir a primeira vitória em casa nesse returno. Em um jogo com pouca emoção e com lances polêmicos, o timão venceu por 1×0 em um lance irregular do atacante Jô que fez o gol com o braço. Com a vitória, o Corinthians volta a abrir dez pontos de vantagem para o Grêmio. Já o Vasco, mesmo com a derrota, segue firme na sua recuperação e esta em nono.

Falando no Grêmio, o imortal teve mais uma decepção. Dessa vez recebeu a Chapecoense, que ocupava a zona de rebaixamento e jogando muito mal perdeu para os catarinenses por 1×0. O título do Brasileirão vai ficando cada vez mais difícil. Já a Chape saiu da zona da degola e agora esta em 14°.

Por falar em zona da degola, tivemos no estádio Barradão o jogo entre Vitória e São Paulo que estão lutando para sair dessa situação na tabela. O primeiro tempo começou com o time baiano pressionando, mas aos poucos o tricolor conseguiu equilibrar a partida. O primeiro tempo terminava ruim para os dois times com o empate. Então na segunda etapa, as duas equipes entraram com mais vontade. O técnico Dorival Júnior colocou o meia Cueva e o peruano fez a diferença no jogo. Ele armou contra ataques, finalizou e cobrou o escanteio que abriu o placar para o tricolor. O Vitória quase chegou ao empate em dois lances que Sidão fez boas defesas. Quase no fim do jogo, em outro escanteio cobrado por Cueva, dessa vez bem fechado, o meia surpreendeu a zaga do Vitória e Felipe Souto fez contra. No final do jogo, Trellez ainda fez para os baianos, mas já era tarde. O São Paulo saiu de penultimo para 17° e o Vitória ficou em penúltimo.

Agora falando de um confronto do meio de tabela. Atlético – PR e Fluminense tinha a mesma pontuação e buscavam ficar mais próximos do G-6. O Flu abriu o placar no final do primeiro tempo com o artilheiro Henrique Dourado. Mas no segundo tempo, o furacão virou a partida e aplicou 3×1 no tricolor carioca. Com a vitória, o Atlético – PR subiu para oitavo e deixou o Fluminense na 11° posição.

Para fechar os jogos de domingo, tivemos no Mineirão, o Cruzeiro que busca uma vaga no G-6 e o Bahia que tenta fugir da ameaça de rebaixamento. O time comandado por Mano Menezes dominou totalmente a partida e venceu com um placar minimo, 1×0. A raposa está na sexta posição e o Bahia está uma posição acima da zona da degola em 16°, mas com os mesmos pontos de São Paulo e Coritiba.

Por falar no Coxa, o time paranaense visitou ontem no Pacaembu a equipe do Palmeiras. O time precisava vencer para escapar da zona do rebaixamento. Mas o verdão comandado por Cuca adotou um esquema diferente. Jogando no 4-3-3, o Palmeiras aproveitou da velocidade de Dudu para levar perigo a defesa do Coxa. O Coritiba se defendia bem, mas não conseguia contra atacar. E no final do primeiro tempo, Jean marcou o gol solitário do jogo. Esse resultado embolou a briga na perseguição ao líder, já que Grêmio e Santos perderam, e agora o Palmeiras permanece em quarto, mas com um ponto para o Santos e três para o Grêmio. O Coritiba entra na zona de rebaixamento na 18° posição.

A rodada mexeu na tabela, mas principalmente mexeu com duas discussões. No jogo entre Corinthians e Vasco, o gol da vitória foi irregular, marcado com o braço pelo atacante Jô. E como o gol foi validado começou a polêmica. Devemos ter tecnologia no Brasileirão?

Na minha opinião o futebol demorou para ter esse recurso. Tivemos exemplos nesse final de semana em dois campeonatos (alemão e italiano) que o vídeo ajudou ao árbitro e deu justiça ao placar final das partidas. E um ponto a se destacar, na Alemanha, o lance foi revisto e a decisão foi tomada em 17 segundos. Vale ressaltar que os arbitros de lá tiveram um ano para treinar esse procedimento.

Mas porque nós ainda não havíamos tentado e treinado aqui no Brasil? Muitos dizem que a tecnologia iria atrapalhar a dinâmica do jogo ou que as discussões no dia seguinte iriam acabar. Porém, a justiça no esporte tem que ser soberana. Assim como no tênis e no vôlei temos esses desafios, no futebol deveria ter. A tecnologia precisa estar no futebol, mas com certeza precisa ser feita com organização e disciplina. O que no Brasil é um pouco dificil de acontecer.

A outra questão levantada foi a do fair play no futebol. Esse ano, em um clássico válido pelo Campeonato Paulista, o zagueiro Rodrigo Caio e o atacante Jô protagonizaram um episódio praticamente inédito no futebol e com convicção inédito no Brasil. Eles disputavam uma bola, quando o goleiro do São Paulo saiu para pegá-la. O atacante Jô forçou uma passagem e Rodrigo Caio acidentalmente pisou em seu companheiro de clube, no momento em que tentava proteger a jogada. O juiz não teve dúvidas e deu cartão amarelo para Jô.

Nesse momento, Rodrigo Caio chamou o árbitro e avisou que havia sido ele que fez a falta e não o Jô (o que acarretaria na suspensão do atacante no jogo de volta daquela semifinal), o jogo transcorreu e quando acabou começou a discussão, o que Rodrigo Caio fez foi legal ou não?

E não resta nenhuma dúvida que o zagueiro agiu com uma ética incomum e louvável para sua profissão. Porém, o atleta foi duramente criticado pelos seus companheiros de equipe e até pelo técnico Rogério Ceni. O caso acabou, em certa parte, prejudicando a carreira do então técnico.

O atacante corintiano, na época, elogiou bastante a atitude do companheiro de profissão. Mas ele não fez o que afirmou. Lembrando palavras do próprio Jô: “Essa atitude dele foi importante e se tivéssemos mais casos desses o futebol seria mais honesto”. Mas o que ocorreu Jô?

Porque você não afirmou para o juíz que havia marcado o gol com o braço?

Porque não impediu um erro que deveria e poderia ser evitado?

O que eu deixo aqui como reflexão é o seguinte. Jô não pode ser sacrificado pela atitude ou falta de atitude dele. Nenhum jogador BRASILEIRO em sua posição assumiria o que fez.

A palavra fair play é muito usada nesses casos, mas o futebol, mesmo sendo um esporte, mostra o que é a sociedade. E sendo assim, sabemos que honestidade nesse país não é uma palavra muito conhecida e usada.

 

Por Elcio Alves